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domingo, 13 de junho de 2010

DICIONÁRIO DE CARIOQUÊS


1. Advérbio de lugar ("A parada está por aê).
2. Vocativo genérico ("Aê, tu viu a parada?).
3. [pô ] Partícula composta iniciadora de frase ("Pô aê, sei lá, bro").

Arroz
(do fenício) aquele que só acompanha. Sujeito que vive rodeado de mulheres, tem muitas amigas, é doido pra ficar com todas e não pega uma sequer. Sin. Arame-liso (cerca mas não machuca); mestre-sala (dança em volta, apresenta pra todo mundo mas não encosta e não deixa ninguém encostar); Mosca de padaria (tá sempre sobrevoando a guloseima e tomando tapa)

Bolado
adj. Condição de incompreensão momentânea ou preocupação em qualquer nível.

Bonde
1. Ônibus.
2. Galera, turma.

Bucha
Indivíduo com marra de malandro mas que não passa de um tremendo prego; nas antigas era chamado de malandro coca-cola (só dar um sacode que ele perde o gás).

Chatuba
Ato de esculhambar, avacalhar e perder a linha da forma mais sacana possível ("Eu vou chatubar nesse Enecom!").

Coé
Aglutinação de qual é ("Coé, sangue?").

Conto
Unidade monetária sem plural ("Essa parada custa 10 conto").

Filé
1. Mulher muito atraente, com um shape invejável.
2. Fisioterapeuta do Romário e do Ronaldinho.

Fura-olho
[adj.] Fala-se do indivíduo que qué d´uns péga na mina dosoutros.

Goiaba
[adj.] Diz-se do indivíduo distraído, aéreo, que viaja sozinho, em goiabices. Goiabar - [verb. int.] Ato ou ação de estar goiaba ("Estava lá sentado, olhando para o céu, goiabando").

Irado
1. Qualificação positiva relacionada a um fato, ocorrência ou objeto ("O Enecom na Unisinos foi irado!").

Lance
1. V. parada.

Maluco
Cara; sujeito; indivíduo ("Eu não conheço aquele maluco"; "Estava com uns malucos da faculdade").

Mané
Otário; vacilão; prego; sujeito que pisa na bola.

Massa
Macarrão e similares. Não confundir com "maneiro", paulista mané! Maneiro - Show de bola; maneiríssimo; paulista mané gosta de chamar de massa".

Mel
1. Bebida alcoólica artesanal fabricada com cachaça e mel; melzinho.
2.[Ter mel] Qualidade de atrair a atenção sentimental de fêmeas ("Aquele maluco tem mel").
3. [malandrês] Sangue ("Levou um soco nos córneos e começou a escorrer mel do nariz").

Mermão (masculino)
1. Aglutinação de meu irmão ("Aí, mermão, que parada é essa?")


Aglutinação de maior ("Ih, coé? Mó! otário. Aê!").

Parada
Substantivo genérico ("Que parada é essa?", "Esqueci aquela parada em casa", "Preciso fazer uma parada").

Paraíba
Indivíduo nascido ou residente acima do paralelo que passa por Copacabana.

Peidão
Covarde, frouxo, borra-botas.

Péla-saco
1. Pessoa chata; piegas.
2. Puxa-saco; baba-ovo; rabiola.
3. V. arroz.

Perdeu a linha- [Termo composto] Fala-se do indivíduo que cometeu um ato
inconsequente/insensato ("Perdeu a linha e virou seis doses de tequila em meia hora" "Perdeu a linha e foi o centro das atenções na festa da empresa").

Pipoqueiro
Qualidade aplicada ao indivíduo que costuma pipocar, v. peidão.

Popozuda - [adj.] Expressão dos morros cariocas que contaminou o país.
Fala-se da mulher que possui uma região glútea avantajada e/ou excessivamente acolchoada.

Prego
[adj.] v. mané.

Sacode
1. Ato caracterizado por várias pessoas se juntando para encher de soco uma única.

Sangue
Redução de sangue-bom; pessoa legal; gente boa; agradável; maneira.

Tu
Terceira pessoa do singular dos pronomes pessoais do caso reto ("Tu viu", "Tu faz", "Tu é").

Zero-bala - Renovado; pronto pra outra ("Tava de porre ontem, mas agora
estou zero-bala.").

FONTE:
http://espacoeducar-liza.blogspot.com

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Variedades Linguísticas

Leia este poema, de Elias José:

À MODA CAIPIRA
Para a Sonia Junqueira, pela parceria e amizade.

U musquitu ca mutuca
num cumbina.
U musquitu pula
i a mutuca impina.

U patu ca pata
num afina.
U patu comi grama
i a pata qué coisa fina.

U gatu cum u ratu
vivi numa eterna luita.
U ratu vai cumê queiju,
vem um gatu i insurta.

U galu ca galinha
num pareci casadu.
A galinha vai atrais deli
i u galu sarta di ladu.

U pavão ca pavoa
mais pareci muléqui.
A pavoa passa réiva
e eli só abri u léqui.
U macacu ca macaca
num pareci qui si ama:
ela pedi um abraçu,
ele dá uma banana...
Eu mais ocê cumbina
qui dá gostu di vê:
eu iscrevu essas poesia
i ocê cuida di lê...

(Cantos de encantamento. Belo Horizonte: Formato, 1996. p. 22.)

1. Ao escrever esse poema, o autor não obedeceu às regras ortográficas da língua portuguesa.
a) Leia o nome do poema e tire uma conclusão: Por que, na sua opinião, o autor escreveu o texto desse modo?
b) Qual é o dialeto que o autor usou para escrever o poema?

2. Compare as palavras abaixo. As da coluna da esquerda estão escritas de acordo com as regras ortográficas, e as da coluna da direita estão escritas conforme aparecem no poema.

mosquito musquitu pato patu rato ratu

a) Quais dessas palavras lembram mais o nosso jeito de falar?
b) Conclua: Nosso jeito de falar sempre corresponde ao modo como as palavras são escritas?

3. Compare em cada par de palavras abaixo as da esquerda com as da direita e tire conclusões sobre as diferenças entre oralidade e escrita.
mosquito — musquitu
parece — pareci / insulta — insurta / combina — cumbina
come — comi / salta — sarta / comer — cumê
dele — deli

a) O que acontece com a vogal o de sílabas átonas (fracas), como em mosquito, quando a palavra é falada?
b) O que acontece com a vogal e da sílaba final das palavras, como em parece, quando ela é falada?
c) O que acontece com a letra l anterior à última sílaba, como em insulta, quando ela é falada?
d) Dessas mudanças, quais são as típicas do dialeto caipira?
e) Por que existem essas diferenças entre oralidade e escrita, na sua opinião?

4. Observe este trecho do poema:
“eu iscrevu essas poesia”
a) Além da grafia da palavra iscrevu, esse trecho apresenta outra variação em relação à língua padrão. Qual é ela?
b) Apesar dessa variação, podemos entender que o trecho se refere a uma única poesia ou a mais de por essas uma? Como é possível saber isso?

5. Na última estrofe do poema, o eu lírico se dirige a outra pessoa e compara seu relacionamento com ela ao relacionamento de vários animais. Professor: Aproveite para comentar que o eu lírico escolhe comparações com animais pelo fato de, supostamente, os animais fazerem parte de seu universo.
a) Quem é essa pessoa? A namorada ou a mulher amada do eu lírico.
b) O que o eu lírico pretende provar com essas comparações?

FONTE:
Português: Linguagens — William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães

VARIEDADES LINGUÍSTICAS

Você se lembra desta música do grupo Mamonas Assassinas? Leia o texto:

CHOPIS CENTIS
Eu “di” um beijo nela
E chamei pra passear.
A gente fomos no shopping
Pra “mode” a gente lanchar.
Comi uns bicho estranho,
com um tal de gergelim.
Até que “tava” gostoso,
mas eu prefiro aipim.
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia.
Esse tal Chopis Centis
é muito legalzinho.
Pra levar a namorada
e dar uns “rolezinho”,
Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime.
Pra pegar um cinema,
ver Schwarzneger
E também o Van Damme.
(Dinho e Júlio Rasec, encarte CD Mamonas Assassinas, 1995.)




1. Nessa música, o grupo intencionalmente explora uma variante lingüística. Para isso, cria uma personagem que teria determinadas características de fala.
Pouco sabemos sobre a pessoa que fala nessa música, mas, por algumas pistas do texto, podemos imaginar. Na sua opinião, qual deve ser:
a) o grau de escolaridade dela?
b) a classe social a que ela pertence?
c) a profissão?
d) os filmes a que normalmente ela assiste?

3. No 3. verso da 3. estrofe, é empregada uma gíria: “uns rolezinho”. Imagine o sentido dessa expressão, a partir do contexto.

4. Existem alguns termos na letra da música que também podem nos dar pistas sobre a origem da pessoa que fala na música: “mode” e “aipim”. Em que região do país esses termos são popularmente empregados?

5. Reescreva o texto na língua padrão:

FONTE:
Português: Linguagens — William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Variedades Linguísticas

DICIONÁRIO MINERÊS/PORTUGUÊS/CAIPIRÊS (ispía só qui trem legalzim,! Prestenção... )

ENGRAÇADIMAIS - ingraçadimais, muituingraçado.
PRESTENÇÃO - é quano eu tô falano iocê num tá ovino .
CADIQUÊ? - assim..., como qui tentanu intendê o motivo.
CADIM - é quano eu num quero muito, só um poquim .
D`EU - o mez qui 'di mim'. Ex.: Larga d`eu, sô!
SÔ - o mesm qui Seu, ou o fim de quarqué frase. Qué exêmpro tamem? : Cuidadaí, sô !!!
DÓ - o mez qui 'pena', 'cumpaxão' : 'ai qui dó, gentch...!!'
NIMIM - o mez qui in eu. Exempro: Nòoo, ce vivi garrado nimim, trem! Larga deu, sô!!
NÓOO - Num tem nada a vê cum laço pertado, não! Omez qui 'nossa!' Vem de Nòoosinhora!
PELEJANU - omez qui tentanu: Tô pelejanu quesse diacho né di hoje, qui nó!
MINERIM - Nativo duistadiminnss.
UAI - Uai é uai, sô... Uai!
ÉMÊZZZ?! - minerim querêno cunfirmá.
NÉMÊZZZ?! - minerim querêno sabê si ocê concorda.
OIAQUI - Minerim tentano chama atenção pralguma coizz...
PÃO DI QUEJU - Cumida fundamentar qui disputa com o tutu a preferêca dus minêro.
TUTU - Mistura de farinha di mandioca (o di mio) cum fejão massadim. Bom dimais da conta, gentch!!
TREIM - Qué dize quarqué coizz qui um minerim quizé! Ex: "Já lavei US Trem!" "Qui trem bão!!"
NNN - Gerúndio du minreis. Ex: 'Eles tão brincannn', 'Cê tá innn, eu tô vinnn...'
PÓ PÔ - umez qui pó colocá .
POQUIM - só um poquim, pra num gastá muito .
JISGIFORA - Cidadi pertin du Ridijanero. Cunfunde a cabeça do minerim que si acha qui é carioca.
DEUSDE - desde. Ex: 'Eu sô magrelin deusde rapazin!'
ISPÍA - nome da popular revista 'VEJA'.
ARREDA - verbu na form imperativ (danu órdi), paricido cum sai. 'Arredaí, sô!'
"IM" - diminutivo. Ex: lugarzim, piquininim, vistidim, etc.
DENDAPIA - Dentro da pia.
TRADAPORTA - Atrás da porta.
BADACAMA - Debaixo da cama.
PINCOMÉ - Pinga com mel.
ISCODIDENTE - Escova de dente.
PONDIÔNS - Ponto de ônibus.
SAPASSADO - Sábado passado.
VIDIPERFUME - Vidru de perfume.
OIPROCÊVÊ (ou OPCV) - óia procê vê.
TISSDAÍ - Tira ISS daí.
CAZOPÔ - Caxa disopor.
ISTURDIA - Otru dia.
PROINOSTOINO? - pronde nós tamo inu?
CÊSSÁ SÊSSE ONS PASSNASSAVASS? - ocê sabe se esse ônibus passa na Savassi?
DONCOTÔ? - onde que eu tô?
DONCOVIM? - de onde que eu vim?
PRONCOVÔ? - pra onde que eu vou?"