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terça-feira, 5 de março de 2013

A menina dos fósforos (Monteiro Lobato)

Isto foi num desses países onde a neve cai durante o tempo de inverno – e fazia um horrível frio naquela noite do ano. Dentro do frio e dentro do escuro da noite a menina lá seguia, de pés descalços pela cidade deserta. Descalça? Sim. É verdade que saíra de casa com um par de chinelas muito grandes para seus pés, pois tinham sido de sua mãe. Ao atravessar a rua, porém, teve de correr para desviar-se duma carruagem na disparada, e perdeu as chinelas; quando voltou para procurá-las, viu que um moleque havia apanhado um pé, saindo a correr com ele na mão. “Vou fazer um berço desta chinela!”, dizia ele. O outro pé não foi possível encontrar - com certeza sumiu enterrado na neve pelas patas dos cavalos. Por isso lá ia a menina de pés nus e já azuis de frio. Era uma vendedeira de fósforos, do tempo em que os fósforos se vendiam soltos e não em caixa; no avental trazia uma porção deles e na mão um punhadinho. Mas ninguém lhe comprara ainda um só, e lá se ia ela, tiritando de frio, sem um vintém no bolso. Verdadeiro retrato da miséria, a coitadinha! Flocos de neve recobriam seus cabelos cor de ouro, todos cacheados, sem que a menina desse por isso. Em muitas casas a luz do interior saía pelas janelas misturada com um saboroso cheiro de ganso assado – porque era dia de S. Silvestre, dia em que todos que podem comem um ganso assado. Em certo ponto a menina sentou-se encolhidinha rente a uma parede e cruzou os pés debaixo da saia. Nada adiantou. Sentiu-se mais enregelados ainda. Como não tivesse vendido nenhum fósforo não se animava a voltar para casa. Sem dinheiro no bolso estava proibida de aparecer lá. Seu pai com certeza que a surraria – além disso o frio era lá tanto como ali. Uma casa velha, de teto esburacado e paredes rachadas por onde o vento entrava zunindo. Suas mãozinhas começaram a perder os movimentos. Teve uma ideia: acender um daqueles fósforos para aquecer os dedos entanguidos. Assim fez. Riscou um fósforo na parede – chit! Que luz bonita e que agradável quentura! O fósforo queimava qual velinha, com a chama defendida do vento pela sua mão em concha. Que bom! A menina sentia como se estivesse sentada diante dum grande fogão, com ferro para mexer as brasas e uma caixa de lenha ao lado. Tão agradável aquele calorzinho do fósforo, que ela espichou o pé para que também aproveitasse um pouco- mas nisto a chama foi morrendo e afinal apagou-se. Só ficou em sua mão um toquinho carbonizado. A menina riscou outro fósforo, e à luz dele a parede da casa estava encostada tornou-se transparente como um véu, deixando ver tudo se passava lá dentro. Estava posta uma grande mesa, com toalha alvíssima e prataria de porcelana; no centro, um ganso recheado de maçãs e ameixas, que recendia um perfume delicioso. De repente o ganso ergueu-se da travessa e, ainda com a faca e o garfo de trinchar espetados no papo, veio na direção dela. Nisto o fósforo apagou-se e tudo desapareceu. A menina riscou outro fósforo, e imediatamente se achou sentada debaixo da mais bela árvore de ponta dos galhos, e os enfeites dependurados pareciam olhar para ela. Mas esse fósforo também foi se apagando, e à medida que ia se apagando a árvore de Natal ia crescendo, e as velinhas subindo até ficarem como estrelas no céu. Uma delas caiu, traçando um longo risco de luz. - Alguém está morrendo, pensou a menina com a ideia em sua avó. A boa velinha fora a única pessoa na vida que lhe dera amor, e costumava dizer que quando uma estrela cai é sinal de que alguém está morrendo e com a alma a ir para o céu. A menina acendeu outro fósforo – e desta vez o que apareceu foi sua própria vovó, brilhante como um espírito e com o mesmo olhar meigo de sempre. - Vovó! Exclamou ela. Leve-me consigo! Eu sei que a senhora vai sumir-se quando este fósforo chegar ao fim, como aconteceu com o ganso recheado e a linda árvore de Natal... E para que isso não acontecesse, a menina tratou de acender um fósforo atrás do outro, sem esperar que a chama morresse. Era o meio de conservar a vovó perto de si. E os fósforos foram ardendo com luz brilhante como a do dia, e sua vovó nunca lhe apareceu tão bela, nem tão grande. Foi-se chegando, tomou e netinha nos braços e com ela voou, radiante, para onde não há neve, nem frio mortal, nem fome, nem cuidados – para o céu. No outro dia encontraram o corpo da menina entanguido na calçada, com as faces roxas e um sorriso feliz nos lábios. Havia morrido de fome e frio na última noite daquele dezembro. O sol do novo ano veio brincar sobre o pequenino cadáver. Em sua mãozinha rígida estavam ainda os fósforos que não tivera tempo de acender. Os passantes olhavam e diziam: “A coitada procurou aquecer-se com os fósforos”, mas ninguém suspeitou as lindas coisas que ela viu, nem o deslumbramento com que começou o ano novo em companhia de sua avó.


COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Era o último dia do ano, dia de São Silvestre, a neve caía e a cidade estava deserta.
a) O que a protagonista fazia?
b) Ela estava vestida adequadamente para a situação? Justifique sua resposta.
c) Por que a vendedora de fósforos não quis voltar para casa?

2. Nos contos maravilhosos, os vilões são gigantes, ogros, lobos, bruxas, etc., seres criados pela imaginação popular. Em "A menina dos fósforos":
a) Quem é o vilão?
b) Na sua opinião, esse vilão é mais cruel que os vilões que normalmente aparecem nos contos maravilhosos? Justifique sua resposta.

3. Num determinado momento da história, o narrador diz que as mãos da menina "começaram a perder os movimentos". O que isso significa?

4. À medida que a menina acende os fósforos, nós, leitores, partilhamos de suas visões e de seus desejos. Qual das visões relaciona-se:
a) ao calor?
b) à beleza?
c) ao alimento?
d) à afeição?

5. Há, no conto, dois momentos em que se observa a compaixão humana. Quem faz no conto os seguintes comentários?
a) "Verdadeiro retrato da miséria, a coitadinha!"
b) "A coitada procurou aquecer-se com os fósforos".

6. Muitos contos maravilhosos surgiram na Idade Média, na Europa, numa época em que havia muita miséria.
a) O conto lido retrata essa situação social? Justifique sua resposta.
b) Você conhece outros contos maravilhosos em que crianças têm de enfrentar o abandona, a fome e a injustiça social, como a vendedora de fósforos? Se sim, quais?

7. Nos contos maravilhosos, heróis e heroínas costumam vencer os obstáculos e triunfar no final. Na sua opinião, a vendedora de fósforos triunfa no final? Justifique sua resposta.

FONTE: PORTUGUÊS LINGUAGENS, autores: Willian Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães

sábado, 29 de setembro de 2012

Mamãe não trabalha

Era uma vez uma mulher que perdeu seu nome de batismo, ou melhor, 
trocou-o por outro muito usado: o de Mãe.
Sendo mãe, tornou-se uma pessoa essencialmente chata. A maior 
cobradora da paróquia: "Faça isso, faça aquilo...".
O relógio toca Começa a batalha.
_ Vamos acordar, pessoal!
Corre e liga a água para o café. O leite também (quando tem).
_ Vamos, crianças, vistam o uniforme.
O pai já está no banho.
_ Rápido. Tem aula.
Côa o café. Serve a mesa.
_ Vamos, pessoal. Olha a hora. Comam todo o pão. Escovem os 
dentes.
Pronto. O marido foi para o trabalho; e os filhos, para a escola.
Trocou de roupa, tirou a mesa, lavou a louça do café. Arrumou 
as camas. Varreu a casa. Retirou o pó dos móveis. Chegou o 
verdureiro. Feitas as compras, corre ao açougue. Aproveita a saída, 
passa pelo banco e paga as contas de água e luz.
Volta correndo. Faz o almoço.
_ Menino, não belisque sua irmã!
o pai pede que lave seu macacão. Conta que hoje o trabalho 
melhorou um pouco, mas é para cuidar das despesas. Breve 
repouso e volta ao serviço.
A mãe lava a louça do almoço. A filha seca os pratos; e o filho, 
os talheres e se manda para o quintal. O cachorro com os pelos 
da cauda bem aparados.
_Esse menino! Foi por isso que ele pegou a tesoura...
_ Crianças, façam a lição.
_ Sim, claro, arranjar figuras para a tarefa de Geografia.
Costurar a barra da calça do menino. pregar botão na blusa da menina.
_ Mãe, amanhã é aniversário da professora. Tenho que levar um bolo.
Pronto. O bolo está no forno. Enquanto assa, lava o macacão.
Passam na panificadora. Voltam para casa.
_ Tomem banho!
Providencia o jantar.
_ Não gosta de ovo? Tem que comer. Faz bem para a saúde.
Fiquem quietos. Deixem o pai assistir ao noticiário sossegado. 
Ele está cansado. Trabalhou o dia todo.
_ Vão para o banho! Já arrumaram o material para aula de amanhã? 
Mas que turma! Desde que chegamos do dentista, estou dizendo pra
irem pro banho.
Todos deitados. Verificação total da casa. Deixa a mesa arrumada 
para o café matinal.
_ Ora veja! O menino se esqueceu de guardar um caderno.
Abriu-o. Deu uma olhada na lição. Ele preencheu uma página com 
dados pessoais: nome completo, data e local de nascimento e também 
dados familiares:Profissão do pai: mecânico. Profissão da mãe: 
não faz nada, só fica em casa...

Fonte: PRATES, Marilda. Reflexões e Ação-5ª série. 
São Paulo: Editora do Brasil,1984.

domingo, 3 de junho de 2012

Contação de histórias

Oiiii!!! Quanto tempo heinnnn... É que eu ando ocupada com as atividades do PDE, mas estas atividades já estão rendendo frutos para o blog.
Estou lendo muito e realizando várias pesquisas sobre a contação de história como motivador da leitura, então resolvi postar alguns vídeos que achei muito interessante... Esta é Carol Levy e estou encantada com a forma com que ela dá vida às histórias dos livros.
Vou postar as histórias que provavelmente farão parte da minha implementação, mas esta contadora tem mais histórias tão legais quanto essas que postei, é só pesquisar no You Tube...
CHAPEUZINHO AMARELO
(Chico Buarque)


É UM LIVRO
(Lane Smith)



Espero que gostem!!!

Beijosss

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Coleção Itaú de livros Infantis

Que legal!!! Postei no dia 22 de setembro um recadinho sobre as doações de livros feitas pelo Itaú.
Bom, eu também fiz meu cadastro e confesso que já tinha até esquecido...Mas também com essa história de greve nos correios : )
E imaginem a minha surpresa ao chegar do trabalho hoje e me deparar com um amontoado de correspondência e... dancinha da alegria para os livros infantis que o Itaú me enviou e que minha filha adorou!!!

São eles:
- Chapeuzinho Amarelo (Chico Buarque)
- Adivinha quanto te amo (Sam McBratney)
- Festa no Céu (Angela Lago)
Chiquérrimo, não é!!!!


Se você ainda não recebeu os seus, é fácil, aproveite... aí está o link!!!
http://www.itau.com.br/itaucrianca/

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Descobrindo Raízes

FONTE: http://rangelnovellino.blogspot.com

terça-feira, 27 de setembro de 2011

GÊNERO: Perfil de Redes Sociais

A proposta é:
1. Socialização da proposta: Elaboração de perfis de personagens da literatura brasileira:
- Dividir a sala em 8 grupos de 5 alunos;
- Cada grupo deverã escolher o personagem que irá assumir do livro "Capitães da Areia" de Jorge Amado;
- Antes terão que ler o livro;
- Os perfis serão montados como para uma rede social (Facebook ou Orkut);
- Depois dos perfis expostos, deverão interagir , acompanhando o desenrolar da história, com "postagens";


Achei esta proposta suuuuper interessante!!!!!
Obviamente que esta Sequência Didática precisa ser melhor explicitada e organizada no Plano de Ação.

Abaixo links para maior embasamento.


Perfil do personagem Dom Casmurro de Machado de Assis

Como seria o perfil de Macunaíma no Facebook?


FONTE:
http://escrevendoofuturo.blogspot.com/

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Itaú distribui livros infantis

 Aí galera, o Itaú está distribuindo livros infantis.
É só se cadastrar e aguardar que em até 20 dias os livros estão na mão...legal, não é!!!
http://www.itau.com.br/itaucrianca/

domingo, 26 de junho de 2011

Produção de Texto

Esta atividade foi bem interessante, pois além de trabalhar produção de texto, aguça a curiosidade pela leitura.
Bem, a atividade é assim...
Apresentei o livro abaixo, deixei que eles manuseassem, porém, coloque um clipe grande para que não abrissem e não tirassem nenhuma informação real da história.

Da capa eles teriam que observar e retirar as seguintes informações:
NOME DO LIVRO:
NOME DO AUTOR:
NOME DO ILUSTRADOR:

- Observe a ilustração da capa do livro, o título do livro e escreva a história que você imagina que esteja escrito nele:

(Aluno:LEANDRO - 5ª "D"-ESC. EST. MANUEL BANDEIRA-ALTO PIQUIRI-PR)
No final, eles corriam para a biblioteca para pegar o livro, queriam saber como era a verdadeira história.
Vou repetir a atividade com outros livros...

domingo, 5 de junho de 2011

BILHETES






FONTE:
http://misturadealegria.blogspot.com

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Poesia Visual

Neste bimestre, iniciei na 6ª série/7º ano, um gênero textual muito interessante: o texto poético e achei divertido os poemas visuais. A Poesia Visual é a forma de fazer poemas que brinca com o espaço da folha de papel e com a disposição das palavras. Assim, o poeta se expressa usando, além das palavras, o arranjo visual do poema. Observe o desenho feito com as palavras no poema Pássaro em vertical, de Libério Neves:



Ficou curioso(a) para conhecer outros poemas visuais? Então, leia os textos seguintes.
Preste bastante atenção para perceber a relação que existe entre a escrita e o desenho, OK?















FONTE:
http://portuguescolegiao.wordpress.com/

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Comparando textos de gêneros textuais diferentes



Texto - 1
A Lenda do Guaraná

Conta a lenda que um casal de índios Maués, viviam juntos a muitos anos e ainda não tinham filhos.
Um dia, pediram a Tupã para dar-lhes uma criança. Tupã atendeu o desejo do casal e deu-lhes um lindo menino, que cresceu cheio de graça e beleza e se tornou querido de toda a tribo.
No entanto, Jurupari, o Deus da escuridão e do mal, sentia muita inveja do menino e decidiu matá-lo.
Certo dia, quando o menino foi coletar frutos na floresta, Jurupari aproveitou para se transformar numa serpente venenosa e matar o menino.
Neste momento, fortes trovões ecoaram por toda a aldeia, e relâmpagos luziam no céu em protesto.
A mãe, chorando em desespero ao achar seu filho morto, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã.
Em sua crença, Tupã dizia-lhe que deveria plantar os olhos da criança e que deles nasceria uma nova planta, dando saborosos frutos, que fortaleceria os jovens e revigoraria os velhos.
E os índios, plantaram os olhos da criança e regavam todos os dias.
Logo mais, nesse lugarzinho onde foi enterrado os olhos do indiozinho, nasceu o Guaraná, cujos frutos, negros como azeviche, envoltos por uma orla branca em sementes rubras, são muito semelhantes aos olhos dos seres humanos.
(Esta lenda é um pouco mais complexa, mas como o texto foi adaptado para criança, assim ficou.
O conteúdo é o mesmo.)

Texto - 2

O Guaraná é um arbusto trepador pertencente à família das Sepindáceas, Paullinia Cupana.
Sua casca é escura e as cascas são pinadas. As flores de tamanho médio são muito aromáticas, e os frutos, vermelhos e brilhantes, quando secos tornam-se pretos.
O Guaraná é muito empregado como planta medicinal para evitar a arteriosclerose, e auxiliar nos problemas do coração e das artérias, funcionando como um notável cardiovascular.
Pode também ser usado como sedativo e adstringente intestinal, na ocorrência de diarréias crônicas.
Suas sementes após torradas e moídas, convertidas em massa, é utilizadas no comercio como pó de guaraná, e serve para o feitio de refrescos e refrigerantes.

Fonte: http://www.overmundo.com.br/banco/a-lenda-do-guarana

Texto - 3



Fonte: http://www.guaranaantarctica.com.br/media/3216/wall_08_1024x768.jpg

Texto - 4

O Guaraná é um arbusto originário da Amazônia, encontrado no Brasil, Peru, Colômbia e Venezuela, cultivado principalmente no município de Maués AM e na Bahia. Seu nome científico é Paullinia cupana Kunth e pertence a família Sapindaceae. O nome Paullinia foi atribuído por Lineu ao género a que pertence o guaraná em homenagem ao médico e botânico alemão Simon Pauli. É também conhecido por uaraná, narana, guaranauva, guaranaina, guaraná cerebral e guaraná-da-amazônia.



Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Guaran%C3%A1


Trabalhando os textos
Leia os textos e responda:
1- Qual o assunto em comum entre os textos?
2- Qual o gênero textual de cada um dos textos?

Texto 1:
1- Releia o texto, localize as informações e complete as respostas:
a) Personagens;
b) Espaço/ ligar onde deve ter acontecido a história;
c) Tempo/ qunado aconteceu a história;
d) Descrição do menino indígena:
Problema:
Causa do problema:
Consequência do problema:
Solução:
e) Tipo de narrador;
f) Que tempo de verbo predomina no texto? Por quê?
g) Copie o trecho que compara o fruto aos olhos do menino.

Texto 2:
a) Nome científico;
b) Família;
c) Informações sobre a planta e suas partes;
d) Usos do guaraná;
e) Que tempo do verbo predomina no texto? Por quê?

Texto 3:
a) Descreva a imagem da propaganda;
b) Descreva a qualidade dos frutos;
c) Na comparação entre as imagens dos frutos e da lata, que características dos frutos podem ser atribuídas à bebida?
d) O slogan " É o que é" é construído para reforçar, no consumidor, a ideia de autenticidade do produto: Explique como;
e) Explique o uso das comparações na propaganda e sua função;
f) Explique o uso duplo do verbo é;

Texto 4:
a)Complete a ficha técnica com informações sobre o guaraná:
Nome cinetífico:
Nomes comuns:
Família:
Origem e Habitat:
Características:
b) Explique por que a planta recebeu tal nome científico;
c) Explique o uso do tempo verbal predominante no texto.

Descobrindo características dos gêneros textuais
texto1 texto2 texto3 texto4
Assunto:
Gênero textual:
Finalidade do texto:
Suporte:
Função da imagem:
Características do gênero:
Linguagem:


Fontes:
Textos Expositivos, 5º ano - Colégio Pentágono.
http://linguagemeafins.blogspot.com/

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SOBRE JEQUITIBÁS E EUCALIPTOS - Rubem Alves


Que aconteceu aos tropeiros? Meu pai se consolou dizendo que, naquele tempo, tropeiro era dono de empresa de transportes. O fato, entretanto, é que o tropeiro desapareceu ou se meteu para além da correria do mundo civilizado, onde a vida anda ao passo lento e tranqüilizante das batidas quaternárias dos cascos no chão...

E aí comecei a pensar sobre o destino de outras profissões que foram sumindo devagarinho. Nada parecido com aqueles que morrem de enfarte, assustando todo mundo. Aconteceu com elas o que acontece com aqueles velhinhos de quem a morte se esqueceu; e que vão aparecendo cada vez menos na rua, e vão encolhendo, mirrando, sumindo, lembrados de quando em vez pelos poucos amigos que lhes restam, até que todos morrem e o velhinho fica, esquecido de todos.. .E quando morre e o enterro passa, cada um olha para o outro e pergunta: "Mas quem era este?". Não foi assim que aconteceu com aqueles médicos de antigamente, sem especialização, que montavam a cavalo, atendiam parto, erisipela, prisão de ventre, pneumonia, se assentavam para o almoço, quando não ficavam para pernoitar, e depois eram padrinhos dos meninos e não tinham vergonha de acompanhar o enterro? Também o boticário, um dos homens mais ilustres e lidos da cidade, presença cívica certa ao lado do prefeito e do padre, pronto a discursar quando o bacharel faltava, tendo sempre uma frase em latim para ser citada na hora certa... E o boticário fazia suas poções, e a gente lavava, em água quente, os vidros vazios em que ele iria pôr os seus remédios. E me lembro também do tocador de realejo que desapareceu, eu penso, porque com o barulho que se faz nas cidades, não há ninguém que ouça as canções napolitanas que a maquineta tocava. E me lembro também do destino triste do caixeiro-viajante, cujo progressivo crepúsculo e irremediável solidão foram descritos por Arthur Miller, em A morte do caixeiro-viajante.

Foi o tema que me deram "a formação do educador", que me fez passar de tropeiros a caixeiros. Todas, profissões extintas ou em extinção.

Educadores, onde estarão? Em que covas terão se escondido? Professores, há aos milhares. Mas professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor: Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.

Profissões e vocações são como plantas. Vicejam e florescem em nichos ecológicos, naquele conjunto precário de situações que as tornam possíveis e - quem sabe? - necessárias. Destruído esse habitat, a vida vai se encolhendo, murchando, fica triste, mirra, entra para o fundo da terra, até sumir.

(Fragmento de texto extraído de: Conversas com quem gosta de ensinar. São Paulo : Cortez, 1981.)

FONTE:
http://www.aomestre.com.br/jpp/jp02/jp09b.htm


AGRADECIMENTO:
Quero agradecer a minha tia Izabel, uma "educadora" persistente, que me apresentou este texto maravilhoso...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O AMOR É ROSA - Içami Tibi


Eu sou branco. Você é vermelho. Quando estamos juntos somos rosa. Antes de eu conhecer você, eu não sabia o que era ser rosa.
Até que eu vivia bem sozinho: comia o que e na hora que eu queria: saía quando bem entendia para ir ao lugar a que tinha vontade de ir, com liberdade, independência e auto-suficiência.
Quando eu vi você, fiquei vermelho de paixão e nem me incomodei com os meus brancos. Até perceber que eu já não era mais o branco. Foi quando o vermelho começou a me sufocar e, então, brancamente me protegi. Mas às vezes eu me irritava e brigava com você. No fundo era porque você era vermelha e não branca igualzinha a mim. Percebi-me em alguns variados momentos querendo mudar a sua cor. Ainda bem que você soube permanecer-se vermelha, ter suas próprias emoções, sentimentos, comportamentos e pontos de vista. Caso contrário, você seria também branca.
Mas tive minhas reticências, pois estava acostumado ao meu ritmo e modo de vida brancos. Temi perder minha individualidade. Mas aos poucos fui descobrindo que o branco para se transformar em rosa não é se perder, desestruturar-se e desaparecer, mas é completar-se com o vermelho. O rosa me atemorizou, mas hoje vejo quanto é gostoso conviver, relacionar-se, amar e ser amado. Dá mais trabalho, porque nem tudo pode e deve ser feito brancamente, mas sem dúvida tudo pode ser mais gostoso e rico com o vermelho. Frequentemente, um bom lanche branco não é tão agradável quanto um singelo jantar rosa.

Atividades sobre o texto:

1) Expresse por meio de imagem, pode ser desenho ou recortadas de revistas ou jornais, as impressões causadas pelo texto em você. Quais sentimentos estão presentes durante a leitura?

2) Explique como você entende esse trecho. “Eu sou branco. Você é vermelho. Quando estamos juntos somos rosa . . .”

3) Por que o narrador afirma que “Antes de eu conhecer você, eu não sabia o que era ser rosa . . .” ?

4) Releia o 3º parágrafo. Usando as cores como referência, o narrador fala sobre os conflitos que ocorrem em um relacionamento. Retire desse parágrafo alguns exemplos que mostram esse conflito.

5) O narrador confessa que temia perder a sua individualidade, se entregando ao relacionamento. Em seguida, afirma que se entregar não é a mesma coisa que se perder. O que ele quis dizer com isso?

6) Segundo o texto: Por que dá mais trabalho “ser rosa”?

7) Sobre os sentidos das palavras no texto:

- Diga os possíveis sentidos para as palavras abaixo, considerando seu significado no texto e fora:

Rosa – abismo – mar – estrela

- Perceba que no texto existe uma palavra em negrito e sublinhada, caso ela fosse substituída pela palavra “viver”, o sentido da frase mudaria ou ficaria o mesmo? Por que isso acontece?


Reflita!
- Ao ler o texto, você deve ter percebido que o tema é o AMOR, que pode ser expresso de diversas maneiras. Existe o amor entre pais e filhos; amigos; avós e netos; namorados...

Agora pense e reflita sobre as questões abaixo:

-Para você, o que é o amor?
-Você acredita que todo amor deve ser sempre “perene”, “eterno”, sem fim? Comente sua opinião.
-Por que o ser humano tem a necessidade de amar?

PRODUÇÃO DE TEXTO
A partir das reflexões escreva um texto, em forma de narrativa (uma história), sendo que as personagens da história estejam envolvidas em algum conflito e necessitam resolver sem usar a violência ou estupidez. Use sua criatividade e sensibilidade!!!

* O título do texto consiste em recurso expressivo.
* Compreendeu e desenvolveu o tema proposto de acordo com o contexto de produção solicitado
* Durante o desenvolvimento da carta, há progressão, clareza e coesão na apresentação doa fatos
* O vocabulário empregado no texto é variado e está sendo usado como um recurso expressivo
* A organização sintática dos períodos e a pontuação são apropriadas aos objetivos e à estrutura global da narrativa
* As relações de concordância estão ajustadas ao padrão culto da escrita
* O texto é redigido segundo às normas ortográficas oficiais

FONTE:
http://www.cscj-saoborja.com.br

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Texto sobre os professores

Este texto pode ser trabalhado na semana de outubro em que se comemora o dia dos professores.


Corujita, A Professora (Jorge Linhaça)

Lá no bosque encantado
vive Dona Corujita.
Com seu jeito animado
todo aluno ela conquista

Lá no galho da amoreira
ela fez a sua escola
Corujita é bem faceira
prá ensinar não se enrola

Passa todo dia procurando
jeitos novos de ensinar
Quando pode vai brincando
na escola ao luar

A garotada agradece
por tanta dedicação:
fazem sempre uma prece,
lembram dela na oração

Ensinar não é brinquedo,
haja jogo de cintura!
Tem no meio mil segredos:
é preciso ter candura.

Corujita, minha amiga,
é o exemplo que escolhi,
Deus, à todo mestre bendiga,
seja o professor mais feliz!

Quero aqui agradecer
essa classe especial
que de ensinar e aprender
fizeram o seu ideal.

Às amigas professoras
mando pois o meu carinho.
Mulheres batalhadoras
que abrem nossos caminhos

Ao amigo professor
vai também o meu recado
pois são homens de valor
e tão pouco são lembrados.

Aos alunos, amiguinhos,
nunca parem de estudar
sempre tenham mui carinho
por quem vem lhes ensinar

E agora já me vou,
Corujita está chamando,
pois o sinal já tocou
e na classe vou entrando.

*****

APRENDENDO COM A CORUJITA

Palavrinhas e expressões:

O que quer dizer " faceira " ?
O que significa " prece" ?
O que significa " ter jogo de cintura"?
O que quer dizer "candura"?
O que quer dizer "ideal"?
O que significa " abrir caminhos"?

Entendendo o texto:

Onde mora Dona Corujita?
Onde fica a sua escola ?
O que Dona Corujita está sempre procurando?
Como os alunos agradecem?
Ensinar é uma coisa fácil ? Por que ?
Para que o autor usou corujita como exemplo?
Por que devemos sempre estudar ?

Escreva uma cartinha para sua professora dizendo o que você acha das aulas.


Brincando de contar:

Quantos vesinhos( linhas ) tem esta historinha?
Quantas estrofes ( conjunto de versinhos) ?
Quantas vezes o nome de Corujita aparece no texto?

Brincando de ser poeta:

complete a quadrinha abaixo:


Minha professora é
_______________
_______________
_______________

FONTE: Grupo - "A arte de ser pedagoga"

Consciência negra



Meninos de todas as cores...

Era uma vez um menino branco chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:
É bom ser branco
porque é branco o açúcar, tão doce,
porque é branco o leite, tão saboroso,
porque é branca a neve, tão linda.
Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos eram amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus, que, como todos os meninos amarelos, dizia:
É bom ser amarelo
porque é amarelo o Sol
e amarelo o girassol
mais a areia da praia.
O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador chamado Lumumba que, como os outros meninos pretos, dizia:
É bom ser preto
como a noite
preto como as azeitonas
preto como as estradas que nos levam para
toda a parte.
O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos.
Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:
É bom ser vermelho
da cor das fogueiras
da cor das cerejas
e da cor do sangue bem encarnado.
O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Babá, que dizia:
É bom ser castanho
como a terra do chão
os troncos das árvores
é tão bom ser castanho como um chocolate.
Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:
É bom ser branco como o açúcar
amarelo como o Sol
preto como as estradas
vermelho como as fogueiras
castanho da cor do chocolate.
Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.

LIVRO: Meninos de todas as cores, Luísa Ducla Soares
Aventura das Letras - Porto Editora, 2003